VÍDEO: indígenas emocionam com agradecimento especial à escolta da PRF em SC

Enquanto o julgamento sobre a demarcação de terras indígenas se prolonga por vários dias no STF (Supremo Tribunal Federal), em Santa Catarina, uma imagem de gratidão marcou a volta para casa dos indígenas que acompanhavam a questão em Brasília.

Por causa das ameaças ao povo indígena Xokleng Laklãnõ, que vive entre os municípios de José Boiteux, Vitor Meireles, Itaiópolis e Doutor Pedrinho, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) escoltou os quatro ônibus dos participantes do acampamento até Santa Catarina.

E na madrugada de domingo (12), em uma parada às margens da BR-101, em Garuva, os policiais foram surpreendidos por um gesto especial. Posicionados no centro de uma roda, eles receberam uma dança indígena como forma de agradecimento pelo apoio na escolta. Veja:


Indígenas fizeram dança como forma de agradecimento aos policiais – Vídeo: PRF/Divulgação

“É uma forma de agradecimento, a dança significa que a gente valoriza o trabalho deles, que somos parceiros. Significa harmonia, uma forma de expressar o agradecimento, que somos pessoas de bem e queremos paz”, conta Nilton Nandiavi Cangui Ndili, cacique-presidente das dez aldeias que fazem parte da região.

Para Rubens Souza da Silva, um dos policiais que participou da escolta, o momento foi de reconhecimento ao trabalho prestado pela PRF.

“Já tenho 27 anos de polícia e nunca tinha tido contato com indígenas, principalmente nessas circunstâncias. A polícia muitas vezes não é vista com bons olhos, mas pelo nosso modo de comunicação e receptividade, todos ficaram muito alegres”, fala.

O cacique explica que os indígenas sofrem muitas ameaças e que um ônibus já chegou a ser apedrejado durante a viagem. “Como a gente tem crianças, idosos e mulheres, pedimos a escolta para vir com mais segurança”, diz.

O agradecimento à polícia foi feito antes mesmo do início do trabalho e ficou registrado também em fotos. “Foi bem bacana. Depois, passamos cerca de 40 minutos tirando fotos. Isso também faz parte do nosso apreço e do nosso profissionalismo”, destaca Rubens.

Indígenas de várias etnias acompanham o julgamento em frente ao STF – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Entenda o que está sendo julgado em Brasília

Cerca de 3 mil pessoas fazem parte dos Xokleng Laklãnõ em Santa Catarina e cerca de 300 foram a Brasília para acompanhar a votação do julgamento. “Ficamos mais de 15 dias. São mais de 6 mil indígenas de todas as etnias do Brasil ajudando um ao outro”, destaca Nilton.

O julgamento trata da demarcação da Terra Indígena Ibirama Laklaño, em Santa Catarina, mas deve repercutir em todo o entendimento sobre a questão e, assim, impactar outras regiões e etnias.

Indígenas de todo o Brasil seguem mobilizados em Brasília  – Foto: Daniela Huberty/Reprodução/Apib/Internet

A terra foi criada pelo Estado de Santa Catarina em 1926 e demarcada pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em 1996, com acréscimo de cerca de 23 hectares, o que fez com que produtores da região entrassem com ação pedindo a anulação do ato.

A Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina entrou no processo como parte interessada e pede a adoção da tese do marco temporal, que condiciona a demarcação à ocupação do local em 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal.

O governo catarinense ganhou a causa em todas as instâncias, mas o STF analisa o caso após contestação da Funai. Até o momento, apenas o ministro Edson Fachin, que é o relator do caso, votou, dando parecer favorável aos indígenas. O julgamento será retomado na próxima quarta (15).

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