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    AGÊNCIA JF | Social - Repositório

Pesquisadoras da UFSC participam de encontro com vencedores do Prêmio Nobel

Carline Biesdorf é doutoranda em Física na UFSC. (Foto: Divulgação/Acervo Pessoal)

As pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Carline Biesdorf e Cheryl Henkels de Souza foram indicadas pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e selecionadas pela Fundação Lindau para participar do Encontro Lindau com Prêmios Nobel, a ser realizado de 30 de junho a 5 de julho de 2024 em Lindau, na Alemanha. As participações são custeadas pela Fundação Lindau e pela ABC.

O encontro deste ano terá foco especial na área da Física, com três temáticas principais: Física Quântica e Tecnologias Quânticas; Soluções baseadas na física para o desafio energético; e Inteligência Artificial em Física. Segundo informações da Fundação Lindau, são esperados 600 pesquisadores do mundo todo para a troca de experiências com mais de 30 cientistas vencedores do Prêmio Nobel.

“A expectativa para o Encontro de Lindau é muito grande. Todos os laureados com o Nobel também são movidos pela curiosidade de entender a natureza, mas ganharam o Nobel porque fizeram uma contribuição muito importante para a ciência e para a sociedade. Eles são nossos ídolos e aspirações. Será muito interessante vê-los de perto, escutar o que eles têm pra dizer e, quem sabe, até trocar uma ideia ou outra com alguns deles”, ressalta Carline.

Para Cheryl, o Encontro também será uma oportunidade de interagir com outros jovens cientistas. “Eu estou muito empolgada e lisonjeada pela oportunidade de interagir com pessoas tão importantes na minha área e com tanto conhecimento para compartilhar. Eu acredito que o encontro será muito relevante pois vai tratar de assuntos que serão importantes para o desenvolvimento científico e para a sociedade nos próximos anos como: soluções para questões de demanda de energia, mudanças climáticas e outros aspectos relacionados a desafios científicos atuais”, pontua.

A ABC indicou quatro pessoas, das quais duas são da Universidade, indicadas pela professora Débora Peres Menezes, atual diretora de Avaliação de Resultados e Soluções Digitais do CNPq, professora do Departamento de Física da UFSC e membra da ABC. Débora ressalta que o pedido de indicação veio da Academia. “Quando a ABC solicitou aos seus membros que indicassem possíveis candidatos(as) ao encontro em Lindau, indiquei quatro pesquisadores da UFSC que tinham as condições necessárias para serem acolhidos pela ABC e, posteriormente, também selecionados pela própria Fundação Lindau. Foi muito gratificante receber a informação de que, de todo o Brasil, a Carline e a Cheryl estavam na lista final, um reconhecimento internacional da qualidade da orientação e da pesquisa aqui realizadas.” 

Trajetória

Cheryl Henkels de Souza é doutora pela UFSC e estuda a Física de Partículas. (Foto: Divulgação/Acervo Pessoal)

Carline e Cheryl destacam que tiveram suas vidas acadêmicas muito ligadas à UFSC. A área de estudo de Cheryl, que é bacharela e doutora pela UFSC, é a Física de Partículas. “A Física de Partículas é responsável por estudar os tijolos fundamentais que compõem o nosso universo e suas interações. Em grandes aceleradores de partículas, como o Large Hadron Collider (LHC), feixes de partículas são acelerados a velocidades muito próximas à velocidade da luz. Quando esses feixes colidem, toda a sua energia pode ser convertida em massa, para gerar novas partículas como os mésons vetoriais”, explica. 

A produção de mésons vetoriais a partir da interação de um fóton com um próton ou um núcleo é um dos principais fenômenos que Cheryl analisa. “Eu estudo modelos para tentar descrever esses dados medidos no LHC de mésons vetoriais e fazer predições”, complementa.

Já Carline, estudou na UFSC na graduação e pós-graduação, tendo concluído o Mestrado e atualmente cursando o Doutorado na instituição. Durante sua graduação, participou do programa Ciência sem Fronteiras e estudou na Alemanha por 18 meses. Durante o Mestrado na UFSC também teve a oportunidade de pesquisar na Rússia, por seis semanas. Está em processo de finalização da sua tese de Doutorado, e durante o último ano esteve na Espanha, realizando doutorado sanduíche e colaborando também com pesquisadores da Alemanha. Sua intenção é continuar os estudos, e no segundo semestre deste ano se candidatar a um pós-doutorado.

Sua pesquisa é na área de física nuclear e de hádrons. Trabalha com modelos efetivos para descrever a matéria nuclear e aplica esses modelos em estrelas de nêutrons. “Eu desenvolvo e aprimoro modelos matemáticos para descrever prótons, nêutrons e híperons, que são partículas como os prótons e nêutrons, só que mais massivas, e também quarks, que são partículas fundamentais que se encontram no interior de partículas como os prótons e nêutrons, por exemplo”, explica. 

O olhar de Carline é para o espaço, estudando estrelas de nêutrons, testando modelos para descrever corpos que a Ciência ainda não sabe de quê são feitos. “Estrela de nêutrons” é o nome geral que se dá à estrela morta, que durante a sua vida tinha de oito até 25 vezes a massa do nosso Sol, mas que queimou todo o seu combustível e passou por uma explosão de supernova. Estes objetos são extremamente compactos, costumam ter até duas vezes a massa do Sol, mas um raio de apenas 10 até 15 km. E, apesar de serem chamadas de estrelas de nêutrons, não se sabe exatamente do que são constituídas. Por isso e muito mais, as estrelas de nêutrons são tidas como laboratórios para testar nossos modelos nucleares”, conta.

As pesquisas de Cheryl e Carline demonstram o quanto o estudo da Física é o de tentar entender como funciona o mundo e a natureza, para então pensar em aplicações para esse saber científico. 

Carline exemplifica, lembrando da trajetória de grandes cientistas. “Por exemplo, quando Marie Curie foi investigar por que uma dada substância emitia um brilho diferente, quem poderia imaginar que hoje estaríamos usando o conhecimento que ela produziu, sobre a radioatividade, para tratar câncer entre tantas outras coisas? Ou quando Einstein formulou a teoria da relatividade, quem poderia afirmar naquele momento que aquelas complicadas equações matemáticas hoje seriam usadas e responsáveis pela grande precisão de nossos aparelhos GPS? Quero dizer, ambos estavam apenas querendo entender como o mundo funciona, e veja que aplicações importantes evoluíram da curiosidade desses cientistas. É assim que nós funcionamos, somos movidos pela curiosidade. É claro que esperamos um dia também fazer alguma grande descoberta que revolucione o mundo, mas normalmente já estamos muito felizes quando nossos papers são aceitos para publicação”, relata a cientista.

 

Mayra Cajueiro Warren | [email protected]
Jornalista da Agecom| UFSC

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