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Trump sai do banco de réus direto para o modo campanha

Réu em dois processos, o ex-presidente americano usa a batalha eleitoral pela Casa Branca como trampolim para se safar de problemas com a Justiça. Ao deixar o banco de réus em um tribunal federal em Miami, o ex-presidente Donald Trump acionou automaticamente o modo campanha num estado-chave na batalha eleitoral republicana e rumou para um restaurante cubano em Little Havana, onde foi paparicado por bajuladores e recebido como um herói injustiçado.
Mais tarde, num discurso a doadores em sua propriedade de luxo em Nova Jersey, ele exibiu a retórica habitual, apresentando-se como vítima de um sistema judicial politizado e despejando insultos ao promotor especial Jack Smith, a quem chamou de bandido e lunático enlouquecido.
Trump deixou claro o que se deve esperar dessa tentativa de reconquistar a Casa Branca: um trampolim para que ele se safe de seus imbróglios na Justiça como réu em dois julgamentos.
Um aliado próximo, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, vem se mostrando bem-sucedido nessa empreitada e pode ser inspiração para Trump.
Ele conseguiu se reeleger à sombra do julgamento em três processos por corrupção e batalha para minar o poder da Suprema Corte. Ambos direcionaram seus partidos do centro-direita para o extremo, atacando as instituições democráticas em seus países em benefício próprio.
O ex-presidente americano põe seus interesses legais à frente da campanha, atropelando quem o atrapalha. Como resumiu o comentarista Van Jones, da CNN, Trump não está concorrendo para salvar os EUA, mas a si mesmo. “Se isso significa derrubar o sistema judicial e o promotor especial, ele não hesitará”, afirmou.
Até agora, a disputa pela vaga do Partido Republicano nas eleições do próximo ano está centrada na batalha judicial do ex-presidente e põe o partido refém do tema.
Poucos correligionários se arriscam a desafiar o senso comum de que Trump é a vítima, apesar das 37 acusações pela posse não autorizada de documentos confidenciais e obstrução do trabalho de investigadores para localizá-los.
A expressão soturna e, de certa forma, humilhada, que Trump exibiu nas duas ocasiões em que se sentou no banco de réus — nesta terça-feira em Miami e há dois meses em Nova York, onde foi acusado de fraude fiscal — é apenas temporária.
Ele tirará o máximo de proveito dessa circunstância para animar a sua claque e ofuscar o peso das acusações. A estratégia, porém, oferece riscos: o de cansar o tribunal da opinião pública.

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